Já é uma tradição minha fazer uma lista de discos do ano em dezembro. A quantidade em si nunca é certa. Pode variar de 10 a 20. E também nunca coloco na ordem dizendo “esse é melhor que esse e blá blá blá”. Mas dessa vez vou começar com o melhor disco do ano e dai em diante, não tem ordem não.

Por motivos óbvios (ou seja, não lançaram nada esse ano), o Alcest e o Devin Townsend não estão na lista. Porém ela começa com…

Steven Wilson – To The Bone

Que óbvio e surpreendente. TODA VEZ que ele lança disco, eu coloco na lista. Por que? Ora, é bom pra caralho ué. O cara completou 50 anos mas tá com carinha de 25 – dizem que ele se alimenta das lágrimas de seus fãs que choram com suas músicas tristes – e curioso que esse disco não tem muito disso não. “Permanating” podia estar um álbum do ABBA ou da Electric Light Orchestra por exemplo e “Nowhere Now” merece uma citação só por ter um vídeo gravado num dos maiores telescópios do mundo.

Faixa recomendada: TODAS!

Pain of Salvation – In The Passing Light of Day

Esse discão aqui saiu no dia 13 de janeiro. E hoje, pouco depois de 13 de dezembro ainda tô lembrando dele. Significa. O Pain of Salvation tinha lançado uns discos ai que eram legais mas ficavam devendo alguma coisinha. “Road Salt” tô falando de você! Mas ai depois de quase morrer, o Daniel acertou a mão no “In The Passing Light of Day”.

Faixa recomendada: “On A Tuesday”

Ulver – The Assassination of Julius Caesar

Ulver já lançou álbum de tudo: black metal, eletrônico, ambient music, folk metal, etc. Esse aqui tem um pé no synthpop basicamente mas obviamente vai muito além disso. Afinal um disco do Ulver jamais será como o outro ou preso ao mesmo estilo que o anterior. Isso que faz deles uma das bandas mais genais que existem.

Faixa recomendada: “So Falls The World”

Nova Collective – The Further Side

O Nova Collective é assim: pega os caras do Between The Buried And Me com os caras do Haken e mistura. Sai essa maravilha aqui. Quem conhece as bandas sabe que o negócio é altamente progressivamente técnico. E é exatamente assim. Uma surra de precisão.

Faixa recomendada: “Air”

Arcade Fire – Everything Now

Ok, vou ser sincero. Esse álbum não estava na lista até semana passada quando vi boa parte dele ser tocado ao vivo pelo grupo no Anhembi. E ai ouvi tanto, mas tanto, que pensei “por que diabos não prestei atenção direito nele antes?“. Bom, prestei e ai está o disco na lista. Deve ter sido o disco que mais ouvi em dezembro.

Faixa recomendada: “We Don´t Deserve Love”

Enslaved – E

Eu não imaginava que veria o Enslaved ao vivo. E eles vieram para cá esse ano e também lançaram esse álbum fantástico que dá continuidade ao que eles fazem de melhor: o que dá nas ideias deles. Quando as bandas de metal extremo não ficam se prendendo as regrinhas idiotas e clichês baratos e se permitem evoluir, são capazes de produzir discos como esse. E o Enslaved é a maior prova disso.

Faixa recomendada: “Axis of The Worlds”

Aimee Mann – Mental Illness

Eu conheci a Aimee Mann por culpa do Rush (que só apresenta coisas boas nessa vida) e não lembro como cheguei no disco novo dela. Acho que foi por causa do vídeo de “Goose Snow Cone” que tem um gato chamado Goose que realmente estrelou o vídeo e é de um casal de amigos da Aimee. De qualquer forma, o disco é descrito por ela como “o mais lento, triste e acústico” da discografia. Acho que faz sentido eu gostar tanto dele.

Faixa recomendada: “Patient Zero”

Twin Peaks The Return Soundtrack (Limited Event Series Soundtrack)
Twin Peaks The Return Soundtrack (Music From the Limited Event Series)

Aqui é meio que um disco 2 em 1 porque são vendidos separados, porém são da mesma série. O primeiro deles é da trilha sonora instrumental das 18 partes da série lançada esse ano e, composta obviamente, por Angelo Badalamenti. Porque Twin Peaks sem a trilha sonora dele é impossível. A trilha em si é uma personagem da obra. O segundo disco inclui as músicas das bandas que se apresentaram nos episódios, o que passa por uma seleção de Nine Inch Nails, Chromatics, Lissie, Eddie Vedder, Au Revoir Simone, entre outros.

Faixa recomendada (Limited Event Series Soundtrack): “The Fireman”
Faixa recomendada (Music From the Limited Event Series): Eddie Vedder – “Out of Sand”

Far From Alaska – Unlikely

É o melhor disco nacional do ano. Simples. Desde que o Far From Alaska apareceu já dava pra perceber que eles iriam se destacar entre as bandas nacionais ai que nem vou citar o nome que são bem ruins e genéricas. A voz da Emily é algo meio visceral, meio raivoso com um timbre lindo e de personalidade.

Tudo tá redondo aqui: a produção, os timbres, os arranjos, a arte, os vídeos. Por isso é o melhor disco nacional do ano. Só não é o disco do ano pra mim porque o Steven Wilson lançou material.

Faixa recomendada: “Cobra”

London Grammar – Truth Is A Beautiful Thing

Eu não conhecia esse grupo até que um dia o Spotify me recomendou (algoritimos né?) e resolvi ouvir. Foi algo assim de primeira sabe? O som etéreo meio dream pop, trip hop com os vocais da Hannah Reid me pegaram na hora. Sempre tive uma queda por esse tipo de sonoridade. E somado a todo o contexto do ano, o disco apareceu no momento certo.

Faixa recomendada: “Wild Eyed”

Novembers Doom – Harmatia

Primeira coisa sobre esse disco: olha essa capa! “Harmatia” é a falha que leva à queda de um herói ou heroína em uma história. Nem preciso dizer que vem do grego né? Mas para citar um “exemplo” moderno, a hamartia do Marty McFly é quando o chamam de “franguinho”, afinal ele põe a perder tudo por não engolir isso. Lógico que por ser algo hollywoodiano e não uma tragédia grega, tudo se acerta. Certeza que se fosse ele morreria por isso.

Mas voltando (foco!), esse disco tem o mérito de ser o primeiro, em dez da discografia, a ser gravado com o mesmo lineup do disco anterior. Outro mérito é que não tem música ruim nele. Temos tudo o que o Novembers Doom faz de melhor: um doom metal limpo e pesado ao mesmo tempo, com aquele trabalho nos vocais que só o Paul Kuhr faz.

Faixa recomendada: “Zephyr”

Menção altamente honrosa:

Helloween – “Pumpkins United”

É um mini-LP que só tem essa faixa e que o Helloween lançou para celebrar a turnê comemorativa reunindo toda uma galera e seus três vocalistas. Só que merece o destaque porque essa única música é melhor que todo o material que o Helloween já lançou desde 2003. Sério mesmo, existem faixas legais aqui e ali como ahn, “Nabataea” ou, é, bem.. “Are You Metal?” mas desde que inventaram de fazer capa em 3d tá difícil.

Ai eles lançam essa coisa linda e a capa não é um gráfico 3d horrível.